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NOVOS TEMPOS, NOVAS ÉPOCAS...
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"No meio do século passado, entramos subitamente em uma fase nova da história que acarretou o fim da história como a conhecemos nos últimos 10 mil anos, isto é, desde a invenção da agricultura sedentária. Não sabemos para onde estamos indo".
Eric Hobsbawm - Globalização, Democracia e Terrorismo. |
Já se tornou comum dizer que não estamos vivendo apenas uma época de mudanças, mas uma verdadeira mudança de época. Na medida em que sentimos abalados e substituídos os fundamentos em que baseamos nossa vida; na medida em que certas transformações ocorrem em volta de nós em velocidades que não conseguimos acompanhar; na medida em que os princípios e os valores que incorporamos ao longo da vida são questionados e por vezes abandonados, começamos a sentir que o mundo nunca mais será o mesmo e que, quando esse processo terminar - se terminar! - uma nova época terá nascido.
Ética em tempos de crise
Com mais força do que a da Renascença que levou o mundo ocidental a passar da Idade Média para a Modernidade, a partir da segunda metade do século XX o mundo (e não apenas o ocidental) vem sofrendo uma transformação de todos os aspectos da vida. As próprias crises que surgem à nossa volta são os efeitos dessas transformações radicais. O ocultamento proposital, ou o desaparecimento progressivo dos pontos de referência morais, causa e ao mesmo tempo conseqüência de uma falsa interpretação do conceito de liberdade, está na raiz de grandes convulsões como, por exemplo, a chamada crise financeira global, a violência urbana ou, os crescentes índices de exclusão social.
Aos poucos, a própria sociedade percebe que, em meio a essas mudanças, os cidadãos conscientes têm um papel a cumprir. Torna-se claro que o novo mundo que está sendo construído será o resultado do que nós fizermos, do que as nossas gerações realizarem. As sementes que pudermos lançar trarão seus frutos ao longo de um futuro mais ou menos longo. De maneira que sentimos a necessidade de, pelo menos, refletir sobre essa responsabilidade social.
O Projeto " Ética em Tempos de Crise " nos propõe essa reflexão. Compõe-se de três etapas:
Uma primeira fase de pesquisa, em que uma equipe coordenada pelos técnicos da Fundação FIDES levantará os dados básicos para a compreensão do que significa hoje, para os atores sociais, empresariais, políticos, religiosos e outros a relação entre ética e os diversos tipos de crise que vivenciamos.
Um conjunto de três simpósios, com a presença de especialistas brasileiros e estrangeiros, para debater com a sociedade os resultados dessas pesquisas e aportar novos dados sobre o tema, na perspectiva das possibilidades de intervenção positiva em favor das futuras gerações. Leia o resumo do Fórum realizado no dia 06 de Abril:
AS ORIGENS DA CRISE FINANCEIRA:
TÉCNICAS OU ÉTICAS?
A publicação de uma ou duas edições da revista Bem Comum, para levar a toda a sociedade os resultados dos trabalhos desenvolvidos nas duas etapas anteriores.
O futuro do mundo do trabalho
A Revolução Industrial - faz dois séculos apenas - introduziu profundas mudanças nos processos de produção de bens, fundamentalmente através da divisão do trabalho, a produção em serie e, a introdução gradativa e permanente de novas tecnologias.
Um longo caminho de lutas permitiu que o trabalho de crianças, mulheres e homens adquire-se dignidade através do respeito da jornada de trabalho e a discussão de benefícios que permitiram a enormes contingentes populacionais agregarem-se as camadas da sociedade que dispõem da capacidade de escolha, pelo menos teórica.
A busca da produtividade como alicerce para a permanência no mercado, sobretudo, através da tecnologia da informação e automação nos mais diversos campos do trabalho humano, industrial, comercial, serviços, meios de pagamento, etc. converteu-se em uma constante na gestão das empresas.
Se e possível definir etapas em um olhar retrospectivo dos últimos dois séculos, torna-se muito difícil, mas, essencial, para o futuro da sociedade definir cenários que nos permitam qualificar qual e como poderemos conceber como o futuro do trabalho, por exemplo, na metade do século XXI.
Hoje podemos considerar como absolutamente possível, nos processos industriais, definir toda a cadeia de extração, produção, e distribuição de bens de forma totalmente automatizada. Da mesma forma os serviços, lazer, educação sofrerão os impactos tecnológicos, hoje já "imaginados".
Estes cenários terão enorme impacto nas políticas publicas, no conceito de riqueza, na ocupação do tempo, no próprio conceito de trabalho. Duas afirmativas parecem claras: a) nos próximos cinqüenta anos a evolução do trabalho será muito mais dramática e diferente que a acontecida nos dois séculos que passaram desde a Revolução Industrial, b) já é tarde para refletir sobre este tema, considerando os enormes impactos no comportamento das pessoas, na forma de convivência, na forma de ganhar o sustento, na formação das pessoas, no arcabouço jurídico - trabalhista, no próprio conceito de empresa, etc.
O Projeto " O futuro do trabalho" nos propõe essa reflexão. Compõe-se de três etapas:
Uma primeira fase de reflexão e definição de cenários possíveis através da criação de grupos de trabalho que desenvolverão as características básicas das mudanças possíveis, e seu impacto nas diferentes dimensões (políticas públicas, gestão empresarial, sociedade civil, etc.
Um conjunto de três simpósios, com a presença de especialistas brasileiros e estrangeiros, para debater com a sociedade os resultados desses grupos de trabalho, partilhar conclusões, e aportar novos dados sobre o tema, na perspectiva das possibilidades de intervenção positiva em favor das futuras gerações.
A publicação de uma, ou duas edições da revista Bem Comum, para levar a toda a sociedade os resultados dos trabalhos desenvolvidos nas duas etapas anteriores.
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