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RELATÓRIO DE GESTÃO E BALANÇO SOCIAL
J. C. WELBERGEN
Dirigente de empresa alemã. Ocupou diferentes cargos de direção na Shell da Inglaterra,
Bélgica e Alemanha,de 1945 a 1979
Meio de informação e ocasião de começar o debate com diversos grupos participantes, o balanço social pode servir para que se conheça melhor a realidade e para
desmitificar ilusões. Porém isto exige uma condição: que possa traduzir a interação evolutiva da teoria e da prática e que não fique prisioneiro do emaranhado do disposições legislativas.
Conteúdo do conceito de balanço social
A expressão balanço social apresenta um inconveniente, como acontece freqüentemente com os neologismos: e imprecisa e não designa senão imperfeitamente o que quer significar.
O outro termo utilizado, contabilidade ou informação social, é mais preciso mas, em compensação, apresenta o inconveniente de não ter suficiente repercussão. Isto, somado uma tradução aproximada do social accounting, conduziu à adoção generalizada da expressão balanço social, ainda que não se trate de um balanço no sentido estrito da palavra.
Minha empresa também usa o termo balanço social, uma vez que há poucas possibilidades de impor uma expressão que, ainda que mais precisa, não tem aceitação geral. No entanto, seria necessário que se informasse suficientemente o público interessado a respeito do que se deve entender com a expressão balanço social e onde situar suas fronteiras. Só então se poderá responder à pergunta que costumam fazer-nos de que induzimos o público ao erro por meio do termo balanço social, fazendo-o acreditar que se trata de um balanço quantificado e que se pode verificar passo a passo.
Balanço social: representação das atividades da empresa a serviço da comunidade
Por meio do balanço social se procura, essencialmente, que as conseqüências sociais, em sentido amplo, que se podem associar com a ação da empresa, se tornem visíveis e compreensíveis. Da mesma forma que o balanço clássico um reflexo do resultado econômico de um negócio, o balanço social deve pôr em evidência a contribuição levada aos homens. Trata-se, pois, da representação das atividades a serviço da comunidade. Qualquer outra interpretação que considere o balanço social como instrumento de política de salários - o que se observa, por exemplo, entre certos sindicalistas, ou que dele faça um instrumento de relações públicas, inclusive de publicidade - como quereriam algumas empresas e alguns profissionais de relações públicas - é perfeitamente descartável. Nesses campos já existem meios melhor adaptados.
Carência de uma concepção unificada sobre o conteúdo e os fins do balanço social
De qualquer maneira, ao contrário do que acontece com o balanço clássico cujo conteúdo e cuja forma estão prescritos pelo Direito Comercia, no caso do balanço social ainda não existe uma concepção unificada sobre o seu conteúdo e seus fins, salvo o quadro indicativo apresentado em 1977 pelo grupo de trabalho Prática do Balanço Social. O fato de que, até agora, os balanços e informes sociais publicados pelas empresas tenham sido muito diferentes na sua estrutura demonstraram que esta questão ainda está em discussão, tanto no mundo universitário como no mundo dos negócios. Ainda estamos no estágio da investigação e do esclarecimento. Isto o que também demonstra o grande numero de teses doutorais que tratam esse tema.
Entre os investigadores e os técnicos existe animado debate. Como o que se iniciou com veemência entre minha empresa e o professor Dierkes do Centro de Investigação de Negócios de Berlim, acerca do desenvolvimento do nosso balanço social segundo o conceito do goal accounting. Esta colaboração se revela com muitos frutos para as duas partes. É de esperar que a evidente distância que existe entre teoria e prática se torne progressivamente mais curta.
O balanço social em novo marco econômico, social e tecnológico
O conceito de balanço social e a questão da sua utilidade devem recolocar-se no marco do desenvolvimento econômico, social e tecnológico dos últimos trinta anos. As relações entre o econômico e o social estão em constante evolução. Um dos principais índices destas mudanças reside no debate público referente à situação e às finalidades da empresa na nossa sociedade. Nestes últimos anos esta discussão tomou nova dimensão. Basta pensar nas expressões chaves como: proteção do "meio ambiente, humanização das condições de trabalho, proteção social, etc. que mostram claramente a notável extensão das responsabilidades da empresa em matéria de política social no mais amplo sentido.
Devemos reconhecer que hoje a política da empresa está submetida a um número muito maior de exigências que no passado. No futuro, esta política da empresa - ainda que não esteja elaborada - dever mostrar com maior energia os objetivos de tipo sócio-econômico; e isso na medida em que a situação se tornar mais difícil.
Estou convencido de que uma política de empresa que ignore os interesses sociais da comunidade e que se concentre apenas em objetivos econômicos estará condenada ao malogro. Além disso, tal política seria prejudicial para o conjunto do nosso sistema econômico liberal, uma vez que ela só levaria água para o moinho daqueles cujo objetivo consiste em restringir a liberdade de ação da empresa.
A sociedade exige grande eficiência do empresário do ponto de vista econômico sem dispensa-lo das suas responsabilidades sociais.
Como chefe de empresa, é inegável que sinto certa simpatia pela tese de Milton Friedman, segundo a qual "para a empresa existe uma responsabilidade social suprema, que é a de utilizar seus recursos e de prosseguir com as atividades destinadas a aumentar seus resultados
".Ainda que hoje ninguém tenha dúvida de que a necessidade de gerar benefícios deve colocar-se em plano de igualdade para formar o triângulo "resultado - inversões - emprego", devemos reconhecer que apenas esses critérios são insuficientes e que na prática já temos tido suas conseqüências.A sociedade em que vivemos exige do empresário grande eficiência econômica sem dispensa-lo das suas responsabilidades sociais. Uma vez que um exame dos instrumentos de gestão nos campos da organização, informação e controle permite claramente focaliza-las em contraste com o rendimento econômico.
Conhecemos todos os objetivos principais: lucros, volume de negócios, participação no mercado. A pergunta pendente: como prestar contas da responsabilidade social? O planejamento da empresa repousa sobre indicadores de tipo econômico. Este é, entre outros, o resultado da investigação e do ensino da gestão de empresas que, nos anos 50 e 60, devia preocupar-se especialmente em resolver problemas econômicos. É necessário reconhecer, por outro lado, que se trata da sua principal missão. A resolução prioritária dos problemas econômicos e a fixação de objetivos desse tipo podem ter contribuído para difundir entre o público a opinião de que as empresas ignoram as questões de ordem social, que não as reconhecem ou na melhor das hipóteses, que as consideram apenas secundarias. Ainda hoje nos acusam, a nós empresários, de que fugimos da nossa responsabilidade social.
É incontestável que a condução de certas empresas ou a atitude de alguns dirigentes favoreceram o aparecimento dessa opinião. No entanto, não se pode deduzir pura e simplesmente pelo comportamento de uma minoria a inexistência na maioria de uma consciência dos problemas sociais, da mesma forma que não é possível apoiar-se nos excessos de velocidade de alguns automobilistas para concluir que todos os condutores de veículos são motoristas inconseqüentes. Uma pesquisa feita em 1975 pelo
Manager Magazine sobre o compromisso social dos empresários industriais alemãos concluiu, que a ampla maioria deles consciente das suas responsabilidades no plano social e que atua em consonância. A pergunta pertinente é sobre os princípios, os fins e a base segundo os quais se exerce essa responsabilidade. Finalmente, é necessário saber como se pode prestar contas em semelhante campo.
A empresa no grupo social: os grupos participantes
A principal missão do balanço social é dar um informe da atividade da empresa no campo social. Dessa forma, considero que o balanço social é, antes de tudo, um meio de informação dos diversos grupos sociais com os quais a organização mantém relações, e um meio de comunicação. Isto supõe, sem dúvida, que cada empresa se comprometa a debater as exigências particulares ,de cada grupo participante.
Esse diálogo com os diversos grupos não deveria limitar-se a identificar suas necessidades, mas devia ter como conseqüência que cada empresa determine os objetivos que ir alcançar nas relações com esses grupos de interesse. Existe certamente certo número de empresas que operam assim e que fixam por escrito essas finalidades no conjunto do seu objetivo social. Na Alemanha Federal avalia-se em aproximadamente 200 o número de empresas que mantém explicitamente tais princípios.
Os objetivos da empresa em harmonia com o campo das relações sociais
Na minha empresa, esses princípios de gestão foram elaborados por um grupo pluridisciplinar e, em 1974, a direção geral transmitiu-os a cada colaborador. Contém, em princípio, as obrigações e os objetivos da Deutsche Shell. Ao fazer isso, voluntariamente se deu ampla definição desses princípios, evitando qualquer interpretação restritiva a priori, de tal modo que se assegurasse uma validade prolongada no tempo e que não se excluíssem as possibilidades de interpretação que se deseja obter num ambiente em evolução.
Assim podemos formular cinco finalidades da empresa:
- realização de uma justa rentabilidade;
- abastecimento do consumidor, de acordo com as leis do mercado;
- desenvolvimento de novos procedimentos e produtos;
- consideração dos interesses do pessoal;
- respeito aos valores da comunidade.
Estes objetivos marcam o campo das relações sociais da nossa empresa e os interesses dos diversos grupos com os quais tratamos. Eles constituem logicamente a base sobre a qual assenta nosso sistema de análise dos resultados em relação aos objetivos, designado com o termo goal accounting. Não se deve esquecer que além disso eles informam sobre a evolução da missão diretiva dentro da empresa.
Consulta aos grupos participantes: tarefa primordial de direção
No primeiro plano das tarefas de direção situa-se hoje a consulta aos grupos participantes que cooperam com o resultado econômico ou cuja situação depende desse resultado. Seus interesses são, em geral, antagônicos: o pessoal deseja aumento de salário, melhores condições de trabalho, mais benefícios sociais, entre outras coisas; os acionistas preferiam dividendos mais elevados ou uma maior segurança do capital pela constituição de reservas; o consumidor deseja mais bens de melhor qualidade a preços mais vantajosos. O Estado procura uma arrecadação fiscal mais elevada, assim como uma influência mais direta sobre a política de gestão. Estes são alguns dos exemplos que circunscrevem o campo de ação das decisões de gestão.
Uma decisão particular, qualquer que seja sua forma, terá como efeito o de aproximar-se de um ou de vários objetivos, o que implica simultaneamente o afastamento de um ou de vários objetivos.
Os vértices do quadrilátero mágico da gestão.
No que diz respeito ao campo de ação do qual falamos ao abordar as diferentes finalidades da empresa, acho que convém fazer um paralelo com o quadrilátero mágico da política econômica. Refiro-me à atitude do economista que, diante de cada decisão, pesa as conseqüências de acordo com os quatro vértices: alto nível de emprego, continuidade do crescimento, estabilidade do nível dos preços e equilíbrio do comércio exterior. Esta atitude não é fundamentalmente diferente daquela do chefe de empresa que deve tomar sua decisão levando em conta as conseqüências que terão os diferentes grupos de interesses. Aqui também se pode falar de um quadrilátero mágico cujos quatro vértices terão por nomes: interesse dos trabalhadores, dos consumidores, dos acionistas e interesse geral da comunidade.
Hoje nenhum patrão estaria bem inspirado se tomasse decisões sem ter considerado e pesado com cuidado as conseqüências sobre os interesses dos diferentes grupos.
O informe dos resultados obtidos comparados com os objetivos
Quando no debate público sobre o papel da empresa se propagam informações errôneas - em relação a isso gostaria de lembrar que o cidadão médio geralmente estima os lucros das empresas em 25 ou 30% do volume (isto é, numa relação de 1 a 10 com a realidade) - e baseados em tais informações alguns tentam fazer crer que as empresas voluntariamente querem fugir das responsabilidades sociais, devem-se procurar instrumentos que, objetivamente, corrija estas a afirmações tendenciosas. Do contrário não poderemos corrigir a imagem deformada da economia que ampla camada da população recebe.
Ao meu ver, é aqui que reside a missão fundamental dos balanços sociais - especialmente dos que passam pelo crivo dos revisores de contas - missão que consiste em apresentar aos diferentes grupos de interesses os fatos necessários de maneira aceitável, de forma que possam forjar sua própria imagem das relações globais e das interações que regem o organismo social que é a empresa.
Creio que o informe que descreve os resultados obtidos comparados com os objetivos traz uma contribuição decisiva, especialmente se - como acontece entre nós - se verifica em todos os pormenores e leva o selo de garantia do revisor de contas. Hoje, mais do que nunca, importa apresentar a cada indivíduo que seja colaborador, acionista, consumidor ou cidadão um reflexo tão completo quanto seja possível, das atividades da empresa, expor claramente em que medida a empresa, além do seu dever econômico, contribuiu para alcançar fins sociais.
Por isso, acredito que a equipe dirigente deveria, após concluir cada exercício contábil, informar aos grupos participantes em que proporção foram alcançados os objetivos que traduzem seus interesses. Um exame dos tradicionais balanços e contagem dos resultados evidencia que e es não traduzem as relações globais existentes. Com efeito, eles contêm apenas indicações sobre a atividade comercial e a realização dos objetivos nesse campo. São, em primeiro lugar, os informes destinados ao acionista e aos capitalistas.
Disso extraímos conseqüências e ampliamos nosso informe anual pela primeira vez em 1975, para fazer uma prestação de contas que incluísse todos os objetivos da empresa. Batizamos este novo documento com o nome de Informe de Gestão - Balanço Social, no qual as duas partes não são senão uma. Trata-se, em conseqüência, contrariarnente aos informes costumeiros, de um balanço social perfeitamente integrado às partes tradicionais, cujos dados derivam de cifras contábeis e onde as produções e a utilização dos meios se comparam com nossos objetivos. Desde o principio atribuí grande importância a esta interpretação do informe de gestão e do balanço social; de um lado para assegurar maior veracidade e transparência ao balanço social, mas de outro lado também para submeter o conjunto desses documentos à conferência do revisor de contas.
A utilidade do balanço social, intraduzível em termos monetários
Além disso elegemos um informe como noção, pois pensamos que a solução preconizada por certos economistas, que consiste em traduzir o balanço social em seus pormenores, segundo as técnicas da racionalização das alternativas orçamentárias, não é realizável e também não teria muito sentido. Por exemplo: nossa sociedade atua no campo da educação dos jovens, para melhor observância das regras de trânsito.
Podemos quantificar os recursos relacionados com essa ação. A utilidade, ao contrário - menos acidentes, menos vítimas - é difícil, inclusive impossível de avaliar; não poderia e não deveria, em caso algum, ser traduzida em termos monetários. Aquele, pois, que prejudicasse o postulado de uma medida para todos esses fenômenos no querer expressar tudo em termos monetários, por razões de comparação, levaria o conceito de balanço social ao limites do absurdo.
A necessidade de que as finalidades da empresa sejam operacionais
O método do goal accounting que utilizamos pressupõe que as finalidades da empresa, situadas no nível dos princípios e da abstração, se traduzem em proposições concretas e em objetivos operacionais. A este respeito, considero como injustificadas as críticas que se ouvem aqui e ali, que pretendem que a maior parte das finalidades da empresa se expressem por fórmulas
vazias de sentido.
Ao contrário, creio que a sua própria generalidade lhes confere importante papel, que se poderia muito bem comparar com o de uma constituição: fixam os valores que devem iluminar as decisões da empresa a longo prazo. E por esta razão as finalidades da empresa que têm valor durável devem formular-se de maneira que cubram ações sobre as quais ser preciso decidir no futuro; em outros termos, a expressão desses princípios deve delimitar um campo relativamente amplo e fazer sua interpretação. No entanto, estou perfeitamente de acordo com os que declaram que não basta formular essas finalidades.
Trata-se certamente de aplicar os objetivos abstratos a numerosos objetivos parciais e subjetivos e, finalmente, de definir as medidas concretas a tomar para alcançar
cada objetivo.
Um problema de organização: como tomar concretos os objetivos
É completamente diferente realizar o que acabo de expor. Antes de tudo um problema de organização. É claro que se poderia confiar a um colaborador funcional o cuidado de preparar um programa que ser submetido ao Comitê de Direção para estudo e decisão. Não considero que esta solução seja ótima. Creio que no processo de formação dos programas devem estar associadas, desde o momento da partida, as funções da empresa que terão a seu cargo alcançar os objetivos ou aplicar as medidas adotadas. Do contrário surgirão conflitos.
Por esta razão criamos na minha empresa um grupo de trabalho particular no nível de diretores, quer dizer, no mais elevado nível de decisão e responsabilidade.
Nesse grupo se encontra um membro de cada uma das seguintes funções: contabilidade, marketing, investigação, pessoal, técnica, proteção do meio ambiente, relações públicas e planejamento.
Sua missão é de elaborar objetivos detalhados e ações concretas correspondentes a cada finalidade da empresa; objetivos para o exercício anual seguinte, mas também objetivos a longo prazo, cuja realização se produzirá, por exemplo, no decorrer dos próximos cinco anos. Estes objetivos e ações são, em princípio, preparadas e formuladas independentemente da possibilidade de sua publicação no começo do nosso balanço social.
Estou persuadido de que um dos motores da nossa idéia de descrever os fins da empresa num informe consiste justamente na obrigação de que, em todas as funções da sociedade, se reflita sobre os objetivos concretos econômicos e sociais, se expresse claramente esses objetivos e finalmente que se aceite que a própria ação seja medida segundo essas normas. Esse processo interno de procura e de definição de objetivos operacionais, discutidos e decididos de acordo com a direção geral, certamente não é tarefa de rotina. É um exercício que leva, pouco a pouco, a uma mudança de mentalidade na empresa e favorece o aparecimento de uma tomada de consciência das responsabilidades sociais no sentido mais amplo em cada trabalhador.
Será possível tornar públicos todos os objetivos da empresa?
Poderíamos perguntar se todos esses objetivos devem, ou ainda podem tornar-se públicos no balanço social. É possível que haja aí certa falha no nosso conceito: ainda não nos acostumamos com a divulgação geral. Gostaria de esclarecer este propósito com um exemplo. Um exemplo critico do parágrafo do nosso balanço social consagrado à finalidade: consideração do interesse do pessoal, sem dúvida revelaria uma particularidade surpreendente. Os resultados apresentados não se associam senão esporádica e alusivamente aos objetivos apontados. Isto não quer dizer, em absoluto, que careçamos de objetivos precisos; esta forma de apresentação, pelo contrário, leva em conta o fato de que no campo da política pessoal, numerosos objetivos importantes são previstos pelo meio no qual evoluímos - como aumentar as remunerações ou reduzir o tempo de trabalho - e que, por isso, as possibilidades de fixação autônoma dos nossos fins parecem limitadas.
Além disso, grande número de objetivos consiste em moderar reivindicações feitas do exterior e que traduzem os fins de certos grupos participantes (por exemplo em matéria de salários ou de proteção do meio ambiente). É evidente que a publicação desses objetivos, por assim dizer negativos, não é fácil. No entanto, parece necessário ser francos nesse aspecto e apresentar os pontos centrais de nossa política em sua verdadeira dimensão para que o leitor não possa ficar com uma impressão falsa.
Nós nos esforçamos, tanto neste campo como nos outros, em avançar passo a passo e publicar também nossas motivações negativas, aquelas que poderão parecer impopulares. Em todo caso, não vejo porque se limitar a abordar um tema de repercussão negativa. Considero, evidentemente, que essa sinceridade não deve servir para que se exerça qualquer discriminação contra a empresa que livremente tenha mostra o suas motivações. Pois isso, como conseqüência, iria inibir qualquer esforço de transparência e comprometeria o futuro desenvolvimento do balanço social que, na minha opinião, é tão necessário. Por isso desejo que se propague por todos os lugares o balanço social com absoluta liberdade e que ele não torne prisioneiro - como já acontece em alguns países - de um emaranhado de dispositivos legais. Pois a interação entre a prática e teoria mostra-se insubstituível e devemos poder continuar a exerce-la livremente - para maior benefício desta causa.
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